Perdas na produção de milho podem chegar a 50% por causa da estiagem


Foram 40 dias sem que praticamente alguma gota de chuva caísse no noroeste do Estado. Pelo menos nos 23 municípios que fazem parte da área de abrangência da regional da Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento) de Umuarama.
A última chuva caiu na noite de Páscoa e, de lá até esta sexta-feira (11) apenas sol e poeira e, de acordo com o economista do Deral (Departamento de Economia Rural) Ático Luiz Ferreira, não foi suficiente para resolver os problemas da agricultura, que já apresenta uma perda superior a 30% na safra de milho. A estiagem afetou produtores em todos os municípios.
“Apenas um deles, visitado hoje [sexta-feira] na região de Perobal, plantou cerca de 400 alqueires de milho e sofreu uma perda de quase 70%”, conta o economista.
A previsão é de que a próxima chuva atinja a região somente na quarta (16), demora que pode vir a piorar ainda mais a situação do agricultor.
Ático explica que os produtores rurais que plantaram suas lavouras até o início de fevereiro no Arenito Caiuá é que sofrerão as maiores perdas. “O arenito é uma terra que seca rápido e, mesmo que dentro deste período, tenha caído alguma chuva isolada nestas lavouras, não foi suficiente para que resolvesse tal problema na produção”.
Estado de calamidade
Ático lembra que ainda não foi possível fazer um levantamento completo das perdas, mas o último relatório enviado à Secretaria de Estado mostra que todos os agricultores tiveram prejuízos, que já chegam aos 30%. “Nós imaginamos que no decorrer dos levantamentos os números aumentem”, reforça, lembrando que “cada lavoura é um caso. Tem lavouras mais novas que foram plantadas mais tarde (já no início de fevereiro) que apresentaram perdas maiores. Produtores de Cafezal do Sul e Perobal estão na área mais afetada”.
De acordo com o economista, cerca de 100 mil hectares foram plantados na região compreendida pela Seab de Umuarama e alguns produtores estão analisando a possibilidade de entrar com pedido para que seja decretado estado de calamidade pública.
Para tanto é necessária a intervenção da Defesa Civil, que solicita uma aferição das perdas na produção para que haja a solicitação. “A finalidade é aliviar a vida dos produtores, que poderão receber a subvenção do seguro do produtor rural”.
Mercado
O Deral acredita que os produtores iniciem a colheita do milho em suas lavouras daqui a 15 ou 20 dias, dependendo de quando foi feito o plantio. E só depois disso é que o órgão poderá avaliar oficialmente a quantidade da produção perdida por conta da estiagem.
“Chuva desta sexta foi só para apagar a poeira”, ressalta Ático, que está apreensivo com a alteração do preço do produto no mercado. “Nós aguardamos apenas a colheita em todo o país, pois geralmente os municípios mais afetados conseguem preços melhores na aquisição do produto onde não houve perda, ou a lavoura foi menos afetada pela falta da chuva”, encerra o economista.

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