Dez cidades da região podem perder juntas mais de 14 mil habitantes até 2040


As Projeções Populacionais dos Municípios do Paraná, apresentadas na última semana pelo Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico Social (Ipardes), colocam mais uma vez a região Noroeste em alerta. No mínimo dez cidades devem perder em média 20% da sua população até 2040, totalizando cerca de menos 14.559 habitantes. Além dos números mostrarem a migração dos jovens para os grandes centros, também representam a perda de renda municipal em diversos aspectos. 
Conforme as estimativas do Ipardes, apresentadas no site do órgão e no jornal Gazeta do Povo, Francisco Alves, Alto Paraíso, Icaraíma, Cafezal do Sul, Maria Helena, Iporã, Esperança Nova, Brasilândia do Sul, São Jorge do Patrocínio e Mariluz vão perder entre 22% a 12% da sua população. 
Francisco Alves, por exemplo, tem uma população estimada pelo IBGE em 6.382 habitantes (dados de 2016). Com a redução prevista pelo Ipardes de 22%, deve chegar aos 4.886 em 2040.
Icaraíma, tem uma população estimada pelo IBGE em 8.561 habitantes (dados de 2016). Com a redução prevista pelo Ipardes de 21,8%, deve chegar aos 6.729 em 2040.
Para o diretor de pesquisas do Ipardes, Daniel Nojima, os resultados são importantes para subsidiar o planejamento de políticas públicas. “O Paraná já tem uma população mais envelhecida que a média brasileira. Certamente o perfil do mercado de trabalho vai ter que mudar. Teremos implicações tanto para o setor educacional quanto para saúde pública, questões que precisarão ser pensadas para um planejamento futuro”, afirma.
Em uma perspectiva de desenvolvimento regional, tais números mostram a necessidade de união dos municípios em busca de politicas públicas de interesse comum, para proporcionar tecnologia, emprego e renda, ressaltou o prefeito de Cidade Gaúcha e presidente da Associação dos Municípios de Entre Rios (Amerios) Alexandre Lucena. 
“A união entre os municípios deve acontecer, só assim buscaremos o desenvolvimento regional. Precisamos trabalhar para fortalecer o agronegócio e a industrialização, como também, as vias de escoamento como a PR-323 e o aeroporto de Umuarama”, disse.
Mesmo com tais necessidades, a região está próxima de perder o título de Região Metropolitana de Umuarama (RMU). Na última sexta-feira (7), a Comissão de Relações Federadas e Assuntos Metropolitanos da Assembleia Legislativa do Paraná realizou um fórum para discutir a manutenção ou o fim da RMU, porém apenas três prefeitos compareceram ao encontro e possivelmente o título será extinto. 
Levantamento
As projeções do Iapardes apontam para o aumento da população idosa e diminuição de jovens. A população de 0 a 14 anos deve passar de 20,8% em 2017 para 14,6% do total do Estado. A população idosa, por sua vez (65 anos e mais) passa de 9,2% para 19,9% no período.
Essa tendência, explica o diretor Daniel Nojima, é verificada em todo Brasil e está associada ao declínio da natalidade e à ampliação da expectativa de vida.
No Paraná, o processo é mais acentuado em Curitiba e em municípios de menor porte, com menos de 10 mil habitantes, onde se verifica a migração dos mais jovens para outros municípios em busca de novas oportunidades. 
“São cidades de base agropecuária, que vivem também um processo de mecanização das lavouras, e os jovens acabam indo para municípios vizinhos. São migrações de curta distância bastante regionalizadas”, diz Nojima. Pela projeção, nas pequenas cidades, a média da proporção de idosos com relação à população total passa de 11,3% em 2017 para 24,2% em 2040.
Metodologia
A professora Raquel Guimarães, do departamento de economia da Universidade Federal do Paraná, que participou do trabalho, explica que as projeções do Ipardes levam em conta componentes demográficos como o estoque de população, nascimentos, óbitos e os saldos migratórios. “O Paraná está em uma situação de estabilidade. O Estado, assim como Santa Catarina, é, de certa forma, pioneiro no País em envelhecimento da população. Enquanto algumas unidades da federação ainda estão passando por esse estágio de transição demográfica, o Paraná já tem esse cenário mais consolidado. Isso gera uma demanda de política pública não mais prioritariamente dedicadas aos mais jovens e crianças”, diz.
TCU: municípios inviáveis 
Em janeiro deste ano, o Tribunal de Contas do Estado (TCE/PR) divulgou um estudo apontando que 96 dos 399 municípios do Paraná, ou 24% do total, são inviáveis economicamente e deveriam deixar de existir. Segundo o levantamento, esses municípios que têm até 5 mil habitantes, não produzem receita suficiente – seja através de arrecadação própria, seja de repasses do Estado e do governo federal – para manter serviços básicos. O presidente do TCE na época, conselheiro Ivan Bonilha, defendeu que a lei que versa sobre criação, incorporação e fusão de municípios seja “flexibilizada” e que os municípios que não tem viabilidade financeira sejam reincorporados às cidades de origem, se transformando em distritos.
Fonte: Ilustrado

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