Família autoriza doação de múltiplos órgãos de menina de apenas 10 anos


No último domingo foi realizada uma cirurgia para retirada de múltiplos órgãos de uma menina de apenas 10 anos. Thais Emerim da Silva, de Icaraíma, é a jovem doadora do fígado, pâncreas, córneas, válvulas do coração e rins. Agda de Souza Emerim, mãe de Thais, conta que ela passou na manhã de segunda-feira da semana passada (dia 14) ao ser acordada para ir para a escola. “Ela disse que estava com uma dor muito forte na cabeça, como se seu olho fosse saltar”, explica a mãe.

O socorro foi prestado imediatamente e Thais foi levada para o pronto atendimento de Icaraíma. De lá foi direto para o Hospital São Paulo, em Umuarama, onde já chegou em coma. Ainda na segunda-feira a menina passou pela primeira neurocirurgia e na terça-feira outro procedimento foi realizado. “Ela foi muito guerreira”, diz a mãe.

Foi constatado que Thais sofria de uma má formação cerebral. “Nós não sabíamos dessa má formação e ela nunca teve qualquer tipo de sinal. A Thais nunca teve dificuldade de aprendizado, nunca ficou doente. Segundo os doutores Januário e Danilo [médicos que acompanharam Thais], como ela nasceu com essa má formação, poderia ter passado a vida toda com o problema sem saber, levando uma vida saudável, ou já ter morrido antes”, explicou a mãe. Na tarde da última sexta-feira (18) foi emitido o primeiro laudo de comprovação da morte cerebral de Thais.

No sábado foi feita a confirmação. Após isso, segundo Agda, teve início um processo longo e doloroso. “A doação de órgãos é um processo lento, um caminho doloroso. O protocolo de morte cerebral só foi fechado no sábado, apesar da constatação na sexta. E no domingo é que aconteceu a cirurgia. Durante esses dias, apesar de sabermos que nossa filha já estava morta, tivemos que aguentar toda a angústia para a retirada dos órgãos para só depois podermos velar e enterrar a Thais”, relata a mãe.

RECOMPENSA

No entanto, Agda diz que a recompensa é maior que toda a angústia deste período. “Ficamos sabendo que a criança que recebeu o fígado estava em estágio terminal e agora ele poderá ter uma vida normal. Trazer vida para essas crianças que receberam os órgãos e alegria para as mães delas foi nossa maior motivação. Agora sabemos que a vida delas, que estava se esvaindo aos poucos, voltará ao normal. Agora sabemos que elas poderão sorrir e brincar”, afirma. Todos os órgãos foram encaminhados para Curitiba em um avião do Governo do Estado.

A cirurgia para a retirada demorou cerca de 4 horas e contou com uma equipe composta por 20 profissionais, entre médicos, enfermeiros e assistentes de Umuarama e de Curitiba – uma do Hospital Pequeno Príncipe e outra do Hospital Angelina Caron. A agilidade dos profissionais foi fundamental para que se conseguisse retirar todos os órgãos doados.

Fonte: Tribuna Hoje

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